ARQUITECTURA DO LOUVRE
O percurso arquitetónico do Louvre
A arquitetura do Louvre reflecte séculos de evolução e de mudança. Originalmente construído como uma fortaleza no século XII, tornou-se gradualmente num palácio real. Muitos arquitectos contribuíram para a sua conceção, misturando estilos dos períodos medieval, barroco francês, renascentista, neoclássico e moderno.
Com 60.600 metros quadrados, o Palácio do Louvre é um vasto complexo de pavilhões e alas em quatro níveis principais. Embora pareça unificado, a sua aparência atual resulta de muitas fases de construção, renovações e restauros ao longo dos séculos. Construído ao longo de cinco séculos, o Louvre começou como um pequeno pedaço de terra ao longo do rio Sena, nos arredores de Paris. A sua transformação gradual num grande museu mostra a rica história do local e a influência de vários estilos arquitectónicos ao longo da sua longa história.
Séculos XII e XIII: O castelo românico e a fortaleza militar
O primeiro Louvre foi construído como uma fortaleza românica medieval, com paredes espessas destinadas a proteger as fronteiras ocidentais contra invasões estrangeiras. Durante o reinado do rei Filipe Augusto II, em 1190, foi erguida uma fortaleza com janelas pequenas, paredes altas e dez torres defensivas redondas, para garantir a segurança e a defesa contra potenciais ameaças. O Louvre inicial tinha uma planta quase quadrada (78 × 72 metros), rodeado por uma parede espessa (2,6 metros) e um fosso cheio de água. Os vestígios bem preservados das fundações medievais ainda existem e podem ser vistos no rés-do-chão do Louvre, na Ala Sully. Em 1230, durante o reinado de Luís IX, foram acrescentadas uma capela e a sala cerimonial principal (Grande Salle).
Séculos XIV e XV: Fortaleza e Residência Real
Durante os séculos XIV e XV, não se registaram desenvolvimentos significativos no Louvre, com exceção de um período de reinado de Carlos V. Em 1364, este decidiu mudar-se para o Louvre e transformá-lo na sua residência real. O seu arquiteto, Raymond du Temple, ampliou o palácio e acrescentou novas decorações e janelas. Durante o século XV, o Louvre foi utilizado principalmente como arsenal e prisão.
Século XVI: Um palácio renascentista
Em 1528, Francisco I mandou construir um novo edifício de arquitetura renascentista neste local. O arquiteto Pierre Lescot e o escultor Jean Goujon foram contratados para projetar a ala Lescot, com uma grande escadaria. Pierre Lescot foi um dos primeiros a utilizar o estilo clássico em França, e o seu telhado mansarda de duas águas, único no seu género, inspirou muitos edifícios do século XVIII em França e em todo o mundo.
Em 1564, Catarina de Médici encarregou o seu arquiteto Philibert Delorme de construir um pequeno castelo num terreno vizinho a oeste, chamado Tuileries, com planos para o ligar ao Louvre. Durante o reinado de Henrique V, foi acrescentada a Grande Galerie, com 460 metros de comprimento e salas ricamente decoradas para retratos reais.
Século XVII: ampliações em estilo barroco francês
No século XVII, Luís XIII ampliou o Louvre com o Pavillon de l’Horloge, projetado por Jacques Lemercier. A ala norte e a Galerie d’Apollon foram também construídas no estilo barroco francês, conhecido pelos seus detalhes intricados e pelo estilo arrojado e dramático.
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Neoclassicismo do século XVIII
Depois de a corte real se ter mudado para Versalhes em 1682, o Louvre sofreu alterações na sua utilização e na sua arquitetura. Vários ocupantes, incluindo artistas, instalaram-se no edifício, cada um com o seu próprio estilo. O arquiteto Jacques-Germain Soufflot recorreu ao neoclassicismo francês nas suas renovações, centrando-se na grandiosidade e na ordem. Durante a década de 1790, no período turbulento da Revolução Francesa, a maioria dos membros da corte real partiu e mais artistas começaram a chegar ao Louvre, o que resultou em novas alterações arquitetónicas.
Século XIX: A visão de Napoleão
A transformação e as restaurações no Louvre continuaram durante o século XIX, quando Napoleão nomeou Pierre Fontaine e Charles Percier para trabalharem na remodelação do Louvre. Eles transformaram o Louvre nos estilos neoclássico e do Império francês. A Grande Entrada foi criada com a grande cabeça de bronze de Napoleão. A Ala Richelieu foi também acrescentada para acomodar a crescente coleção de obras de arte. Sob o reinado de Napoleão III, Hector Lefuel ampliou o Louvre, ligando-o às Tulherias, e criou o «Nouveau Louvre», concluído em 1857. O Palácio das Tulherias foi destruído por um incêndio em 1871, mas o próprio Louvre foi preservado.
Século XX: A Pirâmide do Louvre
No século XX, o Louvre sofreu grandes alterações, com o projeto do Grand Louvre, iniciado pelo presidente francês François Mitterrand na década de 1980. A adição mais famosa foi a pirâmide de vidro do arquiteto sino-americano I. M. Pei, que foi oficialmente inaugurada a 29 de março de 1989. Esta estrutura modernista melhorou o acesso dos visitantes e ligou os estilos antigo e novo. O projeto também ampliou o átrio subterrâneo e outras instalações, como espaços de exposição e um centro comercial. Embora o seu design moderno tenha sido controverso no início, acabou por ser aceite como uma adição modernista bem-sucedida ao estilo arquitetónico clássico do Louvre.
Construída em aço e vidro, tem 20,6 metros de altura e uma base quadrada de 35 metros. Os seus quase 700 painéis de vidro permitem a entrada de luz no espaço situado por baixo da Cour Napoléon. Em torno da pirâmide principal encontram-se três pirâmides invertidas de vidro, mais pequenas, que iluminam os espaços subterrâneos do Louvre.
O Louvre hoje
Hoje em dia, a arquitetura do Louvre mostra uma mistura harmoniosa de elementos históricos e modernos, combinando designs clássicos e contemporâneos. A pirâmide do Louvre, na entrada, simboliza a evolução do museu. A vasta estrutura de alas e pavilhões do complexo reflecte séculos de construção, restauro e adaptação.
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